terça-feira, 23 de abril de 2013

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do
http://www.citador.pt/textos/tu-es-uma-mulher-rara-fiodor-dostoievski


Pensamento

Fiodor Dostoievski
Russia
1821 // 1881Escritor
Tu És uma Mulher RaraMinha Anuska, onde foste buscar a ideia de que és uma mulher como outra qualquer? Tu és uma mulher rara, e, além do mais, a melhor de todas as mulheres. Tu própria não sonhas as qualidades que tens. Não só diriges a casa e as minhas coisas, como a nós todos, caprichosos e enervantes, a começar por mim e a acabar no Aléxis. Nos meus trabalhos desces ao mais pequeno pormenor, não dormes o suficiente, ocupada com a venda dos meus livros e com a administração do jornal. Contudo, conseguimos apenas economizar alguns copeques - quanto aos rublos, onde estão eles?

Mas a teu lado nada disso tem importância. Devias ser coroada rainha, e teres um reino para governar: juro-te que o farias melhor que ninguém. Não te falta inteligência, bom senso, sentido da ordem e, até... coração. Perguntas como posso eu amar uma mulher tão velha e feia como tu Aí, sim, mentes. Para mim és um encanto, não tens igual, e qualquer homem de sentimentos e bom gosto to dirá, se atentar em ti. Por isso é que às vezes sinto ciúmes. Tu própria nem sabes a maravilha que são os teus olhos, o sorriso e a animação que pões na conversa. O mal é saíres poucas vezes, se não ficarias admirada com o teu êxito. Para mim é melhor assim - no entanto, Anuska, minha rainha, sacrificaria tudo, até os meus ataques de ciúmes, se quisesses sair e distraíres-te. Sim, muito gostaria que te divertisses. E se tivesse ciúmes, vingava-me querendo-te ainda mais.

(...) Enfim, não deves admirar-te que te queira tanto, como marido e como homem. Sim, quem, se não tu, me estraga com mimos? Quem, se não tu, se fundiu comigo em corpo e alma? Todos os segredos, nesse ponto nos são comuns! E não havia eu de adorar cada átomo da tua pessoa e beijar-te como te beijo? Tu não podes compreender a mulher-anjo que és.
Mas eu provo-to, quando voltar. Que eu sou de temperamento apaixonado, mas pensas que outro temperamento apaixonado possa amar a tal ponto uma mulher como eu to provei milhares de vezes? É verdade que essas provas antigas não contam, e agora, quando voltar, parece-me que te devorarei com beijos. (Ninguém lerá esta carta, nem tu a mostrarás a ninguém).

(...) Escreves-me a frase do costume: que somos umas pessoas muito estranhas - decorreram dez anos e amamo-nos cada vez mais. Se vivermos ainda mais dez anos, dirás então: somos umas pessoas muito estranhas - vivemos juntos vinte anos e amamo-nos cada vez mais. Por mim, respondo eu. Mas viverei ainda dez anos?

(...) Anuska, estou a teus pés. Beijo-te e adoro-te. Rezo por ti e para ti. Beijo-te toda, toda. Beijo os pequenos. Diz-lhes que o paizinho não tarda. Ah, meus queridos, que Deus vos guarde.


Fiodor Dostoievski, in 'Carta a Anna Grigórievna Snítkina (1876)'

segunda-feira, 1 de abril de 2013



Fóda...


   
"Frase Seleta"

quarta-feira, 6 de março de 2013


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No Citador

http://www.citador.pt/textos/a-virtude-pura-nao-existe-nos-dias-de-hoje-michel-eyquem-de-montaigne

"A Virtude Pura não Existe nos Dias de Hoje Numa época tão doente como esta, quem se ufana de aplicar ao serviço da sociedade uma virtude genuína e pura, ou não sabe o que ela é, já que as opiniões se corrompem com os costumes (de facto, ouvi-os retratarem-na, ouvi a maior parte glorificar-se do seu comportamento e formular as suas regras: em vez de retratarem a virtude, retratam a pura injustiça e o vício, e apresentam-na assim falsificada para educação dos príncipes), ou, se o sabe, ufana-se erradamente e, diga o que disser, faz mil coisas que a sua consciência reprova.


(...) Em tal aperto, a mais honrosa marca de bondade consiste em reconhecer o erro próprio e o alheio, empregar todas as forças a resistir e a obstar à inclinação para o mal, seguir contra a corrente dessa tendência, esperar e desejar que as coisas melhorem."

"Michel de Montaigne, in 'Ensaios - Da Vaidade'"
Michel de Montaigne
Michel Eyquem de Montaigne Ensaísta-escritor França 1533-1592

quarta-feira, 15 de agosto de 2012




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em 03/08/2010, do 


Per Fas Et Per Nefas




“Complexo antirromano”, pura hipocrisia ou as duas coisas?



Corriqueiramente, deparo-me em salas de aula e em alguns debates com perguntas e reflexões do tipo: “Então, Bento XVI é um grande conservador, não?”; “O papa está retrocedendo em algumas posições da Igreja?”; “Bento XVI é um reacionário?”; “O pontificado de Ratzinger, junto com o de Wojtyla, foi um passo atrás da Igreja”. De fato, estes posicionamentos são os mais comuns, não só entre alunos e colegas na universidade, mas podem ser tomados como sintomas do modo como a opinião pública se constitui: repete-se aqui e ali um parecer sobre um fato específico, e aquele parecer, no fim das contas, assume um caráter de verdade. Goebbels, o ideólogo do nacional-socialismo já afirmava: “uma mentira repetida muitas vezes se torna verdade”.
Não que esta posição seja uma mentira stricto sensu. É um olhar. Uma interpretação dos fatos. Contudo, de interpretação passa a ser tomada como verdade, realidade pura e simples, e quem geralmente a profere, o faz sem conhecimento de causa, apenas repetindo e assumindo uma posição que nem sabe aonde está fundamentada, muito menos seus impactos. Já disseram por aí que a democracia sofre desse mal. Sua natureza tende para a retórica e para a superficialidade.
Podemos tomar como exemplo um momento que me aconteceu em um curso que ministrei sobre religiões africanas e afro-brasileiras. Como é sabido, o Brasil constituiu-se como povo tendo um forte influxo dos povos cativos trazidos da África durante, mais ou menos, três séculos. Nota-se que traços culturais destes povos marcaram indelevelmente nossa cultura, da música à nossa maneira de cozinhar. Contudo, observa-se, com relativo acerto, que viramos o rosto para este fato e que existe uma grande necessidade de “revalorizar”, de “resgatar” – para usar o jargão de certos grupos – a cultura afro-brasileira e sua importância para o País. Além disso, reclama-se da ignorância que permeia os discursos de certas pessoas sobre a realidade africana, no caso, a das religiões brasileiras que possuem raízes africanas, como por exemplo, ver toda manifestação religiosa afro-brasileira como “magia negra”. De fato, certa valorização destas culturas, a fim de que possamos entender melhor “o que faz o Brasil, Brasil”, como diria Da Matta, é muito importante. Nota-se, inclusive, que certos grupos religiosos ligados ao candomblé nagô (yorubá) visam resguardar os traços originais de sua religião e que já se apresentavam na África, como a tradição específica no toque nos tambores e também o uso da língua africana em seus rituais. Bem, é aí que começam a aparecer algumas contradições. Os mesmos grupos – e aqui não me refiro exclusivamente a grupos ligados às religiões afro-brasileiras, mais àqueles, como certas ONGs, que se dedicam a manter vivas culturas autóctones, como por exemplo, as indígenas brasileiras – que geralmente clamam e levantam bandeiras de defesa de suas raízes culturais contra um mundo capitalista hostil, que transforma tudo em mercadoria, são, geralmente, aqueles que, tratando-se de Roma – do papado, entenda-se bem –, acusam certas posições de Bento XVI como “retrógradas”, “reacionárias”, “conservadoras” ou coisa que o valha. “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros”, já diria profeticamente George Orwell, no contumaz A revolução do bichos. Ora, se a defesa das “raízes culturais” deste ou daquele grupo é tão publicamente proferida e importante na manutenção de uma pretensa “identidade”, por que as atitudes de Bento XVI, como por exemplo – e pensando como um dos principais atos deste pontificado – a liberação da dita “missa tridentina” sem a necessária autorização do bispo, é tachada rapidamente por alguns como simples “retrocesso”? Por que a utilização de epítetos nada agradáveis aos ouvidos modernos, como “reacionário” ou “conservador” – mesmo que não tenham a mínima noção do que significam -, já que ele (o papa) também parte de uma mesma prerrogativa, isto é, zelar para que um patrimônio de séculos não se perda frente à desconstrução pós-moderna? Não posso entender tal atitude de outra forma senão como hipocrisia. Ou talvez possa. Hans urs von Balthasar, teólogo de renome do século XX, falava em um de seus livros, publicado em 1974, de “complexo antirromano”, fenômeno de longa data. Grosso modo, Balthasar afirma que tal complexo vai se caracterizar pela posição de negação de tudo o que vem de Roma, e isso quer dizer, do papa.
Não podemos vislumbrar ainda, a longo prazo, o que alguns posicionamentos de Bento XVI vão trazer de benefícios para a estrutura eclesial como um todo. De fato, como já dito aqui outras vezes, o que me parece é que seu intuito é o de reequilibrar as forças atuantes em seu interior. Do Vaticano II, aos excessos – que ninguém nessa altura dos acontecimentos pode negar – ocorridos em vários campos, inclusive e especialmente o da liturgia, advindos de uma leitura que marca as “novidades” do evento conciliar, aquela que fala em nome do “espírito do concílio”, o que Bento XVI parece fazer é tentar resguardar o que a história do cristianismo nos legou até hoje, ou seja, cuidar de suas “raízes culturais”, não permitindo que sejam sorvidas pelos ventos de um desejo de aggiornamento a qualquer custo (Jacques Maritain dizia na época que com o concílio a Igreja tinha se ajoelhado para o mundo) que, por vezes, demonstra-se, para muitos, como infecundo e, pior, como incompreensível e forçado esquecimento.

quinta-feira, 12 de julho de 2012



MÚSICA



Guitarrada com Mestre Vieira

"Em forma e bonito, sempre..."
(Mestre Vieira)


Matéria do Jornal Liberal 1ª Ed - TV Liberal (12/07/12), sobre os eventos em comemoração aos 50 anos de carreira do Mestre.




segunda-feira, 25 de junho de 2012



Um lamento...


e outra vez:

"Política"; a (anti)arte do possível... 
 engulho...

quinta-feira, 21 de junho de 2012



TV


Programa ESTÚDIO MÓVEL
20/06/2012
(Postagem em breve...) 
No site do programa:
Vivi Seixas é Dj de música eletrônica, especialista no gênero House e filha do inesquecível Raul Seixas.
A filha do cara, conversa com Liliane Reis sobre o que sentiu ao assistir do documentário Raul - O Início, o fim e o meio, fala das lembranças dela durante a infância com o pai e de seus remix com as letras do maluco beleza.


Parte 1 (20/06):
   Parte 2 (20/06):
Parte 3 (20/06):
Parte 4 (20/06):
Parte 5 (21/06):
Parte 6 (21/06): 
Parte 7 (21/06): 
 

A galera do coletivo Bicicletorama também marca presenta no Estúdio Móvel desta quarta. Eles desenvolveram o projeto de um jogo de projeção que mistura bike virtual com a bicicleta real. Só vendo e pedalando pra entender.

Lili bate um super papo ainda com o Nilo D'Avila, ele é coordenador de Políticas Públicas do GreenPeace.
Nilo fala sobre o movimento que deu origem a organização e das iniciativas para evitar e a degradação do planeta.

E a campanha CICLOATIVE-SE segue em movimento e apresenta dos Bikers: Eduarda Oliveira e Eduardo Soares.



sexta-feira, 15 de junho de 2012


Poema



"strayed above the highway aisle… 
I could see for miles, miles, miles"
(Bon Iver - Holocene) 
 













MÚSICA



e doação de sangue...

Entrevista com o músico Felipe Cordeiro ao Jornal Liberal 1ª Edição - há pouco - por ocasião de evento de incentivo à doação de sangue no HEMOPA, durante o qual o músico se apresentará.


quinta-feira, 14 de junho de 2012


LÚCIO FLÁVIO PINTO


Por Leonardo Fernandes
no Diário do Pará
Fotos: Elcimar Neves