Nós, nossa muito estimada maquiagem, e nossa obstinada opção pela cegueira...
Atualmente, a noção de herói é de tal forma deturpada, que verdadeiros imbecis (no lugar dos quais a maioria de seus “adoradores” faria tão bem – ou até melhor – o que tais patetas fazem) notabilizam-se não por singularidades e menos ainda por quaisquer grandiosidades. Antes, são resultados de ações dissimuladas que disfarçam o mais reles sapo num garboso príncipe.
Texto de Olavo de Carvalho (clicar no título abaixo):
O inferno brasileiro
"O que se passa no Brasil não é uma “degradação dos costumes”: é a destruição premeditada de todas as escalas, a inversão sistemática de todos os valores."
"No inferno não há degradação, porque não há a presença do bem para graduá-la."
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Stallone tinha razão, é?...
Bem... ao menos eu não consegui evitar o estarrecimento e a perplexidade após essa bofetada...
Certa, contudo, é a boa bilheteria do filme do Stallone aqui no Brasil e, VERDADE ABSOLUTA, é que o Brasil já decepciona e emputece há muito tempo. E o tal do brasileiro que se ofende com depreciações de outros países, se orgulha, não desiste nunca e tudo mais; de hábitos e valores à noções políticas e referenciais culturais, sempre se adequa, e com uma devoção canina, a tudo o que lhe é vomitado na cara; claro, desde que se possa carnavalizar o final. Quem puder, com propriedade e pertinência, que arrisque alguma defesa a este ataque, penso eu, indefensável!...
Stallone está certo
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 28 de julho de 2010
A mídia inteira está brabíssima com Sylvester Stallone porque ele disse que no Brasil você pode explodir o país e as pessoas ainda lhe agradecem, dando-lhe de quebra um macaco de presente. Alguns enfezados chegaram até a resmungar que com isso o ator estava nos chamando de macacos – evidenciando claramente que não sentem a diferença entre dar um macaco e ser um macaco.
Da minha parte, garanto que Stallone só pecou por eufemismo. Macaco? Por que só macaco? Exploda o país e os brasileiros lhe dão macaco, tatu, capivara, onça pintada, arara, cacatua, colibri, a fauna nacional inteira, mais um vale-transporte, uma quota no Fome Zero, assistência médica de graça, um ingresso para o próximo show do Caetano Veloso e um pacote de ações da Bolsa de Valores. Exploda o país como o fazem as Farc, treinando assassinos para dizimar a população, e o governo lhe dá cidadania brasileira, emprego público para a sua mulher e imunidade contra investigações constrangedoras. Seqüestre um brasileiro rico e cinco minutos depois os outros ricos estão nas ruas clamando pela libertação – não do seqüestrado, mas do seqüestrador (passado algum tempo, o próprio seqüestrado convida você para um jantar na mansão dele). Crie uma gigantesca organização clandestina, armando com partidos legais uma rede de proteção para organizações criminosas, e a grande mídia lhe dará todas as garantias de discrição e silêncio para que o excelente negócio possa progredir em paz: sobretudo, ninguém, ninguém jamais perguntará quem paga a brincadeira. Tire do lixo o cadáver do comunismo, dando-lhe nova vida em escala continental, e os capitalistas o encherão de dinheiro e até se inscreverão no seu partido, alardeando que você mudou e agora é neoliberal. Crie a maior dívida interna de todos os tempos, e seus próprios credores serão os primeiros a dizer que você restaurou a economia nacional. Encha de dinheiro os invasores de terras, para que eles possam invadir mais terras ainda, e até os donos de terras o aplaudirão porque você “conteve a sanha dos radicais”. Mande abortar milhões de bebês, e os próprios bispos católicos taparão a boca de quem fale mal de você. Mande seu partido acusar as Forças Armadas de todos os crimes possíveis e imagináveis, e os oficiais militares, além de condecorar você, sua esposa e todos os seus cupinchas, ainda votarão em você nas eleições presidenciais. Destrua a carreira de um presidente “direitista” e uns anos depois ele estará trocando beijinhos com você e cavando votos para a sua candidata comunista no interior de Alagoas.
Um macaco? Um desprezível macaquinho? Que é isso, Stallone? Você não sabe de quanta gratidão, de quanta generosidade o brasileiro é capaz, quando você bate nele para valer.
Fora essa ressalva quantitativa, no entanto, a declaração do ator de “Rambo” é a coisa mais verdadeira que alguém disse sobre o Brasil nos últimos anos: este é um país de covardes, que preferem antes bajular os seus agressores do que tomar uma providência para detê-los.
O clássico estudo de Paulo Mercadante, A Consciência Conservadora no Brasil, já expunha a tendência crônica das nossas classes altas, de tudo resolver pela conciliação. Mas a conciliação, quando ultrapassa os limites da razoabilidade e da decência, chega àquele extremo de puxa-saquismo masoquista em que o sujeito se mata só para agradar a quem quer matá-lo.
Curiosamente, muitos dos que se entregam a essa conduta abjeta alegam que o fazem por esperteza, citando a regra de Maquiavel: se você não pode vencer o adversário, deve aderir ao partido dele. Esses cretinos não sabem que, em política prática, Maquiavel foi um pobre coitado, que sempre apostou no lado perdedor e terminou muito mal. A pose de malícia esconde, muitas vezes, uma ingenuidade patética.
(segue o link: http://www.olavodecarvalho.org/semana/100728dc.html)
Bem... ao menos eu não consegui evitar o estarrecimento e a perplexidade após essa bofetada...
Certa, contudo, é a boa bilheteria do filme do Stallone aqui no Brasil e, VERDADE ABSOLUTA, é que o Brasil já decepciona e emputece há muito tempo. E o tal do brasileiro que se ofende com depreciações de outros países, se orgulha, não desiste nunca e tudo mais; de hábitos e valores à noções políticas e referenciais culturais, sempre se adequa, e com uma devoção canina, a tudo o que lhe é vomitado na cara; claro, desde que se possa carnavalizar o final. Quem puder, com propriedade e pertinência, que arrisque alguma defesa a este ataque, penso eu, indefensável!...
Stallone está certo
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 28 de julho de 2010
A mídia inteira está brabíssima com Sylvester Stallone porque ele disse que no Brasil você pode explodir o país e as pessoas ainda lhe agradecem, dando-lhe de quebra um macaco de presente. Alguns enfezados chegaram até a resmungar que com isso o ator estava nos chamando de macacos – evidenciando claramente que não sentem a diferença entre dar um macaco e ser um macaco.
Da minha parte, garanto que Stallone só pecou por eufemismo. Macaco? Por que só macaco? Exploda o país e os brasileiros lhe dão macaco, tatu, capivara, onça pintada, arara, cacatua, colibri, a fauna nacional inteira, mais um vale-transporte, uma quota no Fome Zero, assistência médica de graça, um ingresso para o próximo show do Caetano Veloso e um pacote de ações da Bolsa de Valores. Exploda o país como o fazem as Farc, treinando assassinos para dizimar a população, e o governo lhe dá cidadania brasileira, emprego público para a sua mulher e imunidade contra investigações constrangedoras. Seqüestre um brasileiro rico e cinco minutos depois os outros ricos estão nas ruas clamando pela libertação – não do seqüestrado, mas do seqüestrador (passado algum tempo, o próprio seqüestrado convida você para um jantar na mansão dele). Crie uma gigantesca organização clandestina, armando com partidos legais uma rede de proteção para organizações criminosas, e a grande mídia lhe dará todas as garantias de discrição e silêncio para que o excelente negócio possa progredir em paz: sobretudo, ninguém, ninguém jamais perguntará quem paga a brincadeira. Tire do lixo o cadáver do comunismo, dando-lhe nova vida em escala continental, e os capitalistas o encherão de dinheiro e até se inscreverão no seu partido, alardeando que você mudou e agora é neoliberal. Crie a maior dívida interna de todos os tempos, e seus próprios credores serão os primeiros a dizer que você restaurou a economia nacional. Encha de dinheiro os invasores de terras, para que eles possam invadir mais terras ainda, e até os donos de terras o aplaudirão porque você “conteve a sanha dos radicais”. Mande abortar milhões de bebês, e os próprios bispos católicos taparão a boca de quem fale mal de você. Mande seu partido acusar as Forças Armadas de todos os crimes possíveis e imagináveis, e os oficiais militares, além de condecorar você, sua esposa e todos os seus cupinchas, ainda votarão em você nas eleições presidenciais. Destrua a carreira de um presidente “direitista” e uns anos depois ele estará trocando beijinhos com você e cavando votos para a sua candidata comunista no interior de Alagoas.
Um macaco? Um desprezível macaquinho? Que é isso, Stallone? Você não sabe de quanta gratidão, de quanta generosidade o brasileiro é capaz, quando você bate nele para valer.
Fora essa ressalva quantitativa, no entanto, a declaração do ator de “Rambo” é a coisa mais verdadeira que alguém disse sobre o Brasil nos últimos anos: este é um país de covardes, que preferem antes bajular os seus agressores do que tomar uma providência para detê-los.
O clássico estudo de Paulo Mercadante, A Consciência Conservadora no Brasil, já expunha a tendência crônica das nossas classes altas, de tudo resolver pela conciliação. Mas a conciliação, quando ultrapassa os limites da razoabilidade e da decência, chega àquele extremo de puxa-saquismo masoquista em que o sujeito se mata só para agradar a quem quer matá-lo.
Curiosamente, muitos dos que se entregam a essa conduta abjeta alegam que o fazem por esperteza, citando a regra de Maquiavel: se você não pode vencer o adversário, deve aderir ao partido dele. Esses cretinos não sabem que, em política prática, Maquiavel foi um pobre coitado, que sempre apostou no lado perdedor e terminou muito mal. A pose de malícia esconde, muitas vezes, uma ingenuidade patética.
(segue o link: http://www.olavodecarvalho.org/semana/100728dc.html)
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terça-feira, 9 de março de 2010
João Hélio no Brasil Crimelândia

Nossa adequação social ao absurdo já deveria estar catalogada como psicopatologia gravíssima.
Verdadeiramente, além das condolências à família, não cabe nada além da perplexidade e do estarrecimento ao dar-se conta de nosso cretinismo na conformação deste arremedo de sociedade civil que integramos.
Após a estupidez da inerme pena sócioeducativa, quer dizer que um dos assassinos do garoto João Hélio (aos 6 anos de idade) ganha liberdade e prerrogativas para começar uma nova vida no exterior?
Tal grau de indecência social já não merece mais notas de repúdio e protestos indignados que, certamente, comporiam o departamento dos artigos de perfumaria no rol de prioridades e atenções do país.
Lembrar também que estamos afundando em alto mar e festejando o fato já soa tautológico (ou soaria, se a consciência nacional ao menos uma vez se desse conta da letargia na qual se encontra imersa). Parece-me, então, que só resta aguardar a vez de também tombar de graça.
O senhor Olavo de Carvalho discorre (link) com propriedade e precisão sobre o ocorrido:
http://www.olavodecarvalho.org/semana/100308dc.html
e a notícia veiculada em “O DIA ONLINE” diz o seguinte:
“Moradia no exterior após pena por morte de João Hélio
Ao completar maioridade e cumprir medida socioeducativa, jovem ganha liberdade e vai viver no exterior, com garantia de casa e identidade novas para recomeçar a vida
Rio - Três anos depois de participar do assalto que resultou na morte brutal do menino João Hélio Fernandes, de 6 anos — arrastado por sete quilômetros em ruas de bairros da Zona Norte —, Ezequiel Toledo de Lima, que na época era menor de idade e hoje tem 18 anos, ganhou a liberdade. Após cumprir a pena socioeducativa, o rapaz voltou para as ruas dia 10.
Assaltantes abandonaram carro na Rua Caiari, com o menino já morto, após ser arrastado por 7 quilômetros | Foto: João Laet / Agência O DIA
Mas, temendo represálias e ameaças sofridas, inclusive no do Instituto João Luiz Alves, na Ilha do Governador, onde estava, ele foi morar no exterior com a família. A mãe do rapaz também teria sido ameaçada...” (íntegra no link abaixo)
http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2010/2/moradia_no_exterior_apos_pena_por_morte_de_joao_helio_64829.html
triste...
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